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Causos de Figueiredo- A Batalha da Ponte dos Veados

Se tem uma coisa que sempre causa inconformismo, são os resultados das urnas. Seja numa simples eleição comunitária, ou até mesmo, nas eleições presidenciais das grandes potências mundiais e onde se utilizam dos mais sofisticados métodos de apuração de votos. Grandes batalhas pós eleições são conhecidas e muitas delas, com fins trágicos.

Numa das mais acirradas eleições municipais de nossa cidade, onde o voto foi disputado com unhas e dentes, numa campanha em clima de "guerra", o resultado não poderia ser diferente: confronto violento entre vencidos e vencedores tendo como arena para tal batalha a BR 174, mais precisamente, a ponte sobre o Igarapé do Veado.




A apuração dos votos foi tensa, o Colégio Maria Calderaro mais parecia uma caldeira em ebulição. Advogados, fiscais de partido, candidatos e correligionários dos dois oponentes, cruzavam-se faiscando o clima era pra lá de tenso. De um lado, o grupo da situação sempre em maior número e com toda a estrutura que a máquina oferece; do outro a oposição com seus fanáticos guerreiros.





Quando os resultados começaram a surgir, a euforia tomou conta do grupo opositor que urna a urna mantinha uma ligeira vantagem, parecia inevitável que a vitória da oposição seria consumada. Mas como em eleição tudo é possível, de repente criou-se um tumulto, faltou energia e a apuração foi suspensa. 

Algum tempo depois, quando a ordem havia sido restabelecida, os trabalhos recomeçaram com a recontagem dos votos apurados e com muita habilidade dos advogados da chapa da situação, diversas urnas que davam vantagem ao candidato opositor, tiveram seus votos impugnados revertendo o resultado, agora a favor do candidato da situação.


  











Ao fim da apuração, o candidato da situação pode comemorar a vitória por pouco mais de cinquenta votos levando seus seguidores e simpatizantes a comemorarem esfuziantemente. por outro lado, a revolta tomou conta do grupo opositor, que indignados, reuniram-se em grande número e interditaram a BR 174, exatamente onde está localizada a Ponte dos Veados.

O protesto era violento e liderado por dois candidatos a vereadores que não obtiveram êxito nas urnas. Qualquer pessoa que tentasse furar o bloqueio, era agredida com violência levando pedradas e pauladas mesmo as que procuravam se dirigir ao Hospital Municipal. Não havia nenhum tipo de tolerância, a ordem era não deixar passar ninguém.

 

Enquanto isso acontecia, o grupo   vencedor, liderado pelo advogado da coligação vencedora, reunia-se nas imediações do terminal rodoviário e rapidamente, já era numericamente três vezes maior que o número que protestava na Ponte. O confronto seria uma questão de minutos pois o contingente policial do município, era insuficiente pra por ordem na situação.

Muito que de repente, como nos filmes de guerra, dois tiros para o alto foram deflagados e o grito de "Atacar" foi recebido como uma ordem a ser cumprida. Os guerreiros do grupo da situação avançaram em direção ao diminuto número de protestantes. 




Foi um Deus nos acuda...pedras, paus, foguetes eram atirados em direção ao grupo contrário que não tendo outra saída, e para se proteger, saíram em desabalada carreira, pulavam da ponte, embrenhavam-se no mato...era um salve-se quem puder.

Do grupo que fazia protesto, até hoje não se sabe o paradeiro. O que se sabe, é que na correria em se proteger, deixaram na ponte sapatos, tênis, óculos, sandálias e até mesmo o carro de som que organizava a manifestação. O carro que pertencia a um candidato a vereador derrotado, foi virado e queimado.


  














Essa história marcou um momento político do município, que esperamos não se repita mas como em política tudo acontece...


Por Bosco Cordeiro.
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