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“O CHAMADO”! – MISSÕES URBANAS E TRANSCULTURAIS.

“O CHAMADO”! – MISSÕES URBANAS E TRANSCULTURAIS.
Figueiredo exportando boas obras – com Renata Mello.



Mesmo em meio a dificuldades e obstáculos que enfrentamos nos últimos tempos, o mundo ainda consegue gerar boas ações e humanidade. Em Presidente Figueiredo não é diferente e a jovem Renata Mello é um exemplo.







Para um entendimento melhor de missões faz-se necessário uma objetiva definição dos termos relacionados à “missão”. Afinal, “o ponto de vista mais antigo ou tradicional era o de igualar missão e evangelismo, missionários e evangelistas, missões a programas evangelísticos” (Stott, 2010, p. 17).

Por missão urbana compreende-se a missio Dei, do latim ser enviado, no ambiente da urbe (urbanismo). Entende-se missão urbana, o processo de execução da evangelização integral dentro da cidade. O trabalho missionário de curta, média ou longa duração em outros países é denominado missões transculturais; para este tipo de missão é que Renata Mello foi chamada.

Após entender e aceitar o chamado de Deus aos 22 anos de idade, Renata abriu mão de suas “regalias” e decidiu romper barreiras e se engajar nas missões transculturais.


Sem entender praticamente nada de missões transculturais, Renata coletou informações com um primo seu, passou a pesquisar na internet sobre missões e fez amizade com missionários. Logo, iniciou um curso de Treinamento Missionário Étnico Cultural – ETMEC. Após a conclusão do curso e uma experiência em missão transcultural, ela ingressou na JUCUM – Juventud Con Una Missión (sigla de JOCUM em espanhol), na cidade de Letícia, Colômbia, como voluntária.


Com muitos obstáculos e saudade da família, Renata partiu para sua “missão”, passando por comunidades e cidades pregando o evangelho de Jesus Cristo. Renata já passou por Guiana Inglesa, Venezuela, Peru e Colômbia.

Como o próprio nome sugere, transcultural, já podemos imaginar o impacto de cultura e diversidade que se pode encontrar pela frente; e segundo Renata, com ela não foi diferente. A diferença de cultura é sem duvida um grande obstáculo, que você só supera na prática.


O Portal do Urubuí conversou com Renata e nos contou um pouco de suas experiências em campo missionário:
Quando você percebeu que tinha esse “chamado” de missões?
Eu tinha 13 anos de idade, logo depois que eu fui curada de uma doença renal. Mas então eu fui crescendo e percebi que Deus estava confirmando o meu chamado de evangelista o tempo inteiro. Aos 23 anos, afastada de Deus, dentro de um ônibus, em Manaus, Deus falou para mim que a razão de eu ter nascido era justamente para fazer missões. Eu me arrependi, pedi perdão a Deus, no ônibus mesmo, e me reconciliei com Ele.


Você só começou fazer missões aos 23 anos. Por que tanto tempo para começar?
Muitos problemas pelo aconteceram pelo caminho. Mas eu sei que as coisas acontecem no tempo certo, então o momento de Deus foi o que aconteceu na minha vida.


Como foi que você começou?
Comecei a pesquisar, peguei informações com um primo meu e fiz amizades com missionários evangélicos. Eu me matriculei numa escola de treinamento missionário e três vezes por semana eu estava em Manaus para aprender sobre missões. No meio do estudo, Deus falou comigo sobre eu estudar inglês.

Como você estudou inglês?
Eu baixei aplicativos e comecei a estudar sozinha em casa e no meu tempo livre.


Como é Deus falar com você e você deixar a sua família? Como é esse tempo longe?
Dói. Não é fácil. A renúncia dói. Quando fui para a Guiana e me despedi da minha mãe, eu chorei muito e minha mãe também. Deus falou para mim “Eu valho a pena” e sempre se tratou disso. De fazer valer a pena. Quem se lança em Deus, nunca se lança no nada. Deus vale a pena.


E o Trabalho, como foi largar o trabalho?
Ah, não foi fácil. Minha chefe ficou muito preocupada comigo e realmente tentou me fazer pensar duas vezes; aliás, só quando eu expliquei toda a minha história para ela é que ela entendeu mesmo. E é verdade, é difícil se deparar com uma situação dessas. Recebi telefonemas de pessoas, até de familiares dizendo para eu ter cuidado, que a minha escolha não teria volta, que eu tinha o emprego dos sonhos. E eu sabia de tudo o que eu estava abrindo mão, mas eu também sabia o que eu tinha de fazer. Eu simplesmente não podia me acovardar. Deus pediu algo específico de mim. Eu precisava obedecer. Tinha mais a ver com tomar a decisão certa do que tomar a decisão mais humanamente racional. E, sabe, eu sou feliz por ter feito o que fiz. Ninguém pode ser feliz se não cumprir o propósito de Deus para a sua vida.


Você faz parte de algum grupo missionário? Como funciona?
Bom, atualmente eu sou voluntária da JOCUM, em Letícia, Colômbia. Eu não sou apoio fixo lá, apenas voluntária mesmo. Em janeiro vou fazer minha ETED, a primeira escola de JOCUM. A base JOCUM-Letícia faz assistência a comunidades indígenas e ribeirinhas da tríplice fronteira (Peru – Colômbia – Brasil), inclusive participei na área de tradução inglês – espanhol em duas brigadas médicas. JOCUM-Letícia está estruturando uma base missionária para indígenas também, para que o indígena alcance o indígena.


Qual foi a primeira cidade que você foi?
Depois de tirar o passaporte e uma licença especial seguida de férias, já formada na minha escola de treinamento missionário, viajei para a Guiana.


Qual foi o local que você ficou mais tempo longe de casa?
Dificilmente estou em Presidente Figueiredo. Mas assim, vim de um período de 4 meses na Colômbia. De janeiro a julho, vou estar lá também.


E como foi na Guiana? Foi da forma que você esperava?
Foi muito mais do que eu esperava. Eu fui completamente impactada por Deus, sabe. Na Guiana você encontra China, Oriente Médio, África, Índia, num mesmo lugar. Lá 51% da população é hinduísta. Uma coisa é lidar com outras religiões monoteístas, outra coisa é lidar com uma religião que adota mais de 300 milhões de deuses.


Aproveitando o assunto, você acha que a idolatria está relacionada com a não-prosperidade de certos países ou pessoa?
Eu tenho certeza disso. Eu me questionei muito sobre a Guiana... O país faz extração de ouro e diamantes e, sério, nunca vi tantos moradores de rua juntos. A idolatria atrai a pobreza. A idolatria acaba com tudo. Observe... Há uma relação profunda entre a pobreza e a idolatria.


Você falou que foi muito impactada, teve algum momento ou algo que te impactou mais?
Sim, claro. Eu conheci um morador de rua chamado Roy. Ele roubou fruta de uma casa e foi atacado por dois tinha pitbulls; a cabeça dele estava completamente exposta, em carne viva, você até podia ver partes do crânio. Eu fazia curativos na cabeça do Roy. Também visitei o hospital público e um orfanato de Georgetown, na Guiana, a situação daqueles lugares é muito triste. Eu fui muito impactada ali. Algo que não posso deixar de citar é que a única igreja que fazia um trabalho social constante ali deveria ter no máximo 40 membros. Era uma igreja brasileira em território estrangeiro.


Em quantas cidades você passou? Você lembra todas?
Não me lembro de todas, mas em Colômbia, fizemos uma viagem por diversas cidades; fomos até Tumaco, Costa Pacífica da Colômbia, que sofre ameaça de Tsunami. Tumaco é guardada por Deus, de verdade, e o povo é muito acolhedor, amei aquele lugar. Ah, passamos por Pasto também, que é uma cidade cercada por 3 vulcões.


Vulcões?
Sim, o vulcão mais ativo da Colômbia – nível 3, o Galeras, está em Pasto. A cidade vive sob alerta laranja. Lá ajudamos uma igreja, uma família pastoral. Deus fez milagres específicos naquele lugar, eu nunca me esquecerei disso.


O que mais te chamou a atenção nas cidades em que você passou da Colômbia?
Visitamos uma comunidade marítima do Pacífico. As pessoas ali são bem violentas. Em Florida, Valle de Calca, Deus nos orientou a fazer um trabalho na igreja, mobilizando jovens para missões e falando sobre ter um relacionamento com Deus. Em Tumaco, falamos sobre liderança e trabalhamos com escolas através de palestras e teatro.

Por que essa comunidade marítima do Pacífico é violenta?
É por causa da falta de Deus na vida das pessoas. Mas fizemos um bom trabalho na praça da comunidade com crianças e jovens. Deixamos fruto lá. Deus é Bom demais.


O tempo que você fica em missões é você mesma quem determina?
Não. Deus determina. Viver em campo missionário é compreender que o Patrão é o próprio Deus. Sou apenas uma serva que faz o que o meu Chefe manda. Meu ministério é de evangelista, então estou sempre de um lugar para o outro. E mais, Deus é o mais interessado na Obra dEle, Ele não deixa faltar nada.


Renata, do que você mais sentiu medo? Vulcões ou Tsunamis?
Eu não tive medo de nada disso. No começo, na Guiana, por eu ter viajado sozinha para um país estrangeiro, de outro idioma e com tantas culturas, a forma como muitas brasileiras são vistas lá... Ali eu senti um pouco de receio, sabe, cuidado dobrado. A atmosfera lá também é bem pesada e tudo, mas medo de verdade, não. E com o tempo, nada assusta. Os riscos do campo missionário são ossos do ofício, faz parte.


Em algum momento você teve vontade de voltar para casa?
Sim. Eu estava há duas semanas na Guiana, havia viajado sozinha, estava sendo impactada pela multiculturalização daquele país. Eu chorei, eu queria voltar para casa. Mas não era o certo, então nem pensei mais nisso.


Você é muito “família”. Você acha que sua família poderia interferir nas suas decisões missionárias?
Jamais. Minha família me ama e sabe que Deus é quem manda em mim. Para ir para campo missionário, precisei deixar muitas coisas: meu concurso público na UEA, eu havia passado em 4º lugar no concurso da Caixa Econômica, e muitas outras coisas... E ainda deixar a família? Eu não deixaria a minha vida, minha família, meus próprios planos e tudo o mais, se não fosse o próprio Deus me mandando deixar. E pronto.


Como um missionário se “sustenta”? Como são financiadas essas viagens?
Existem pessoas que me ajudam financeiramente, mantenedores fixos e esporádicos. O dinheiro que recebo é para suprir minha alimentação e hospedagem (quando estou em base missionária) e com passagens, porque preciso me transportar. Mas Deus não deixa faltar nada. Eu faço artesanato também... Foi uma estratégia de Deus para mim.


Você falou que vocês fazem o trabalho de levantar missionários também, como funciona?
Exatamente. O principal objetivo é conhecer a Deus. Depois, fazer Deus conhecidO é uma conseqüência. Há uma grande mobilização para levantar mais missionários, eu estou completamente engajada nisso, seja através do Facebook em imagens, vídeos, ou palestras e ministrações em igrejas. Meu trabalho também é levantar missionários.


O que você acha dos movimentos missionários em Figueiredo? Está bom ou pode melhorar?
Tudo é um processo. Os movimentos que surgiram aqui são muito bons, mas se todos participarem pode ser muito melhor, a tendência é essa: buscar melhorias e seguir melhorando sempre. Missões é urgente em todo lugar e a mobilização efetiva das igrejas é fundamental nesse processo. Igreja significa chamados para fora. É necessário ir para a rua, é necessário apoio.


Apoio de quem?
Das igrejas mesmo, todas elas. Seria muito bom se todas as denominações cristãs apoiassem trabalhos missionários sociais no contexto urbano e transcultural.


A que você atribui essa falta de apoio?
Falta de evangelismo ao alcoólatra, prostituta, drogado e moradores de rua...


Mas as igrejas têm dinheiro para isso? Para apoiar mais?
Como eu disse, o maior interessado nas vidas que estão se perdendo é Deus. Ele se responsabiliza por providenciar meios para manter o trabalho; e mais, quando você investe em missões, você recebe de volta muito mais e de várias formas. Deus não fica devendo nada a ninguém. Conheço muitas, mas muitas histórias, de igrejas que começaram a ajudar trabalhos sociais missionários urbanos e transculturais e começaram a prosperar depois de fazerem isso. Quanto mais você planta mais colhe. É um princípio bíblico.


O que você acha das pessoas que falam mal das pessoas que fazem missões? Que falam que vocês querem se aparecer e fazer espetáculos?
Bom, eu acho que dificilmente uma pessoa deixa seu momento de lazer, sua vida boa, para prestar assistência a pessoas que estão se perdendo se não forem tocadas pelo próprio Deus. Sobre pessoas que falam mal de quem faz missões... Infelizmente, falta Bíblia, falta amor e falta Cristo. Trabalho missionário é um trabalho bonito na sua importância, mas na prática é um trabalho árduo, difícil. Nenhum missionário realmente comprometido com a sua missão faz isso para fazer espetáculos.


O que você tem a dizer daquelas pessoas que falam que os missionários não conseguem “ganhar” nem os vizinhos e parentes e querem ir para fora evangelizar?
Você pode evangelizar onde você quiser, esse é o propósito da Igreja na Terra: evangelizar todas as nações da terra. O que acontece é que há ministérios específicos para cada um. O chamado de Deus para a sua vida é para onde Deus mandar você ir. Se Ele disser “fique!”, então fique e evangelize aqui. Se Ele disser “saia e vá para tal lugar!”, então faça como eu e saia. Deus trabalha de uma maneira multiforme, trabalha de várias formas. Cerca de 362 mil pessoas morrem todos os dias sem conhecer o evangelho. O que importa é o que você fará com isso.


Compensa então receber esses tipos de críticas?
Na verdade, eu não me importo se recebo críticas. Eu só faço o que Deus me manda fazer. Ganhei mais pessoas para Cristo evangelizando fora do Brasil do que em Presidente Figueiredo. Não é questão de incompetência, é questão de chamado. No princípio do meu ministério eu quis ficar aqui. Evangelizar aqui. Ninguém me impediu de fazer isso. O que aconteceu foi que Deus disse para eu sair e eu obedeci. O trabalho de missões é importante em todo lugar e vou aonde Deus me mandar ir. Ponto.




Por Juliano Torres






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