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Série Futebol Amador - Josias Falcão Relembra a História do Fast

De todas as entrevistas colhidas, nesta série de reportagens sobre o futebol amador de Presidente Figueiredo, certamente a matéria com o Sr. Josias é a mais rica em detalhes e  também a mais folclórica. Diante dos causos narrados por Sr. Josias o histórico presidente corintiano Vicente Mateus, torna-se um mero coadjuvante. 
  

O Início
O Fast Nacional Futebol Clube, time criado por Seu Josias  e patrocinado por sua falecida esposa a vereadora Marlene Souza, foi criado com a finalidade de desbancar o Municipal, time criado e mantido pelo prefeito Mário Jorge. Diferente de seu rival que contava com o poder e apoio do prefeito, o time do Fast era mantido com o coração e os recursos seu e de D. Marlene. Mas nem por isso ficava a dever ao time do prefeito. Nosso time era organizado com equipamento completo que comprávamos na loja do Paulo Martins , em Manaus.
O Fast tinha sede própria com alojamento, bar e salão de festas no local onde ainda hoje, reside Sr. Josias e alguns de seus filhos, no terreno localizado às margens da Br 174, em frente ao Terminal Rodoviário, onde outrora foi sua fazenda. Na sede do Fast aconteciam grandes "pizeiros", como eram denominadas as festas da época.
"As festas aconteciam aqui, este espaço era ocupado por mesas e tinha as barracas dos jogadores, dos vereadores, das prostitutas, do prefeito cada qual tinha seu espaço, as mesas tudo de pau, era muito engraçado. Aquele que era tempo, era divertido demais. Eu trazia de Manaus 40 grades de cerveja, uma carrada de refrigerantes e dez quinze sacos de frangos, eu cobrava a entrada e vendia a bebida, as barracas vendiam o churrasco e a comida mas não podiam vender a bebida.
As barracas eu cedia para as mulheres que eram puxa saco do clube, que torciam e brigavam pelo Fast. Tinha a Acreana que era valente demais, a Graça minha irmã e a cunhada, a barraca da Argentina que era do meu falecido amigo Cearazinho e tinha a barraca do "Rei das Cobras" que era o Davi. A bebida era comprada comigo e podia ser levada para qualquer barraca."

Os Times
"Eu lembro de alguns times, outros eu lembro só dos donos. Tinha o Municipal do prefeito, o meu Fast Nacional Futebol Clube, o Auto Esporte, o Figueirense, o do Manoel Sobral, o do Nobre que era da estrada de Balbina e o Nacional do Coroca. Eu era o dono do Fast e o técnico, era o cartola, comprava até o juiz pra ganhar, uma vez eu dei uma bola e um queijo pro juiz. Meu jogador caia na área ele tinha que marcar pênalti. 
Numa partida contra o Nacional de meu compadre Coroca, eu era juiz pelo meu lado e ele era juiz pelo time dele. Fui logo avisando: "compadre não vá roubar que você perde os pontos", mas mal tocavam no meu jogador eu já marcava a falta, ganhamos de seis a zero.
A gente só não conseguia ganhar do Municipal, porque o Mário Jorge não aceitava perder. O jogo durava 40 minutos cada tempo, mas se o Municipal estivesse perdendo, o juiz não podia acabar a partida, tinha que esperar o time do prefeito ao menos empatar. Ele fazia de tudo pra ganhar, era o prefeito mesmo, comprava até nossos jogadores pra facilitar pro time dele, senão ele demitia que a maioria era funcionário público.
Eu brigava muito com o Mário Jorge por causa de futebol, uma vez ele fez igual essa história das misses que arrancou a coroa da outra, eu fiquei em segundo lugar e nunca vi a taça. Essas desavenças fizeram eu acabar com o Fast.
A gente quando ia jogar contra o Municipal , já sabia que ia só cumprir tabela. Eles já entravam com a vantagem. O apelido do Municipal era o "come e dorme". Os jogadores todos eram da prefeitura e na terça feira já eram dispensados pra se concentrarem pro jogo de domingo, ficavam lá na concentração deles lá na torre, só no bem bom e nós, tínhamos que dar duas viagens no Fiat Uno do Cearazinho, na véspera do jogo, pra pegar os reforços de Manaus."

Os Jogadores
"Nós tínhamos muito bons jogadores, lembro bem do Naldo, Abelha, finado Duca, Zé Alves, Ceará perna de pau, baixinho, Zé Raimundo, Paulinho e meu goleiro era o Zé Ramos que era um goleiro movido a conhaque. Eu dava duas taças de conhaque pra ele ai não passava nada, pegava tudo que era bola mas se não tivesse o conhaque era o maior frangueiro."

O Campo
"No início os jogos eram aqui no campo do meu terreno, depois passou a ser no campo de barro duro onde hoje funciona o Mercado Municipal. Meu sonho era que a prefeitura construísse um estádio cercado, com arquibancada aqui dentro de meu terreno. Eu doaria o terreno em troca de que eu ficasse apenas com a área comercial. Hoje eu não vou nem assistir pois o campo é no lamaçal, a gente paga 50 contos pra lavar o carro e não quer meter na lama."

As Lembranças
"Eu fico emocionado e até muito satisfeito de em nome do Fast Nacional Clube, receber você aqui pra falar dos amigos que já morreram e dos que ainda permanecem vivos em prestar essa homenagem a eles. Pra mim é uma glória falar deles, todos muito queridos, tudo era uma beleza. Essa é minha homenagem a todos eles.


Por: Bosco Cordeiro
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